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Bebê que foi operado ainda ligado à mãe pelo cordão umbilical, cirurgia inédita no Brasil, tem alta do Hospital da Criança e Maternidade

10/09/14

Com cerca de 50 cm e pesando 2,215 Kg, a bebê Ingrid Raphaella recebeu alta do Hospital da Criança e Maternidade (HCM) na manhã desta quarta-feira, 10 de setembro, 43 dias depois de ser submetida à cirurgia inédita no Brasil na qual foi corrigido defeito de abertura na parede em seu abdômen (gastrosquise).

A equipe multidisciplinar do Hospital da Criança e Maternidade deu alta à bebê e comemorou o sucesso absoluto desta primeira cirurgia feita no país, no dia 28 de julho passado. Segundo o Dr. Antônio Carlos Gusson, Diretor Pediátrico do HMC, a bêbe está com o peso ideal e não apresenta nenhum trauma pós-cirúrgico, terá apenas que retornar ao hospital para exames rotineiros. ‘’ A recuperação da Ingrid foi totalmente um sucesso, consequentemente a bebê passará por alguns exames mensais para monitorarmos ela de perto, mas ela está ótima, toda a equipe médica envolvida está de parabéns’’. Frisa Dr. Antônio Carlos Gusson.
Ingrid deixou a instituição acompanhada pelo pai, Davyd Fernando Casemiro e a mãe Ana Catarina Vitorino da Silva.
‘’Estou muito feliz, após esses 43 dias esta é a primeira vez que minha filha vai conhecer nossa casa. A família está toda reunida esperando a gente chegar’’, conta Ana Catarina, mãe da bebê.

No dia 28 de julho, Ingrid nasceu com uma gastrosquise, defeito de abertura na parede abdominal. Segundos depois de ser retirada do ventre e ainda ligada pelo cordão umbilical à mãe, a estudante Ana Catarina Vitorino da Silva, de 15 anos, Ingrid - que nasceu com 1,556 quilos e 40 cm - foi operada pela equipe do Hospital da Criança e Maternidade e pelo cirurgião pediátrico Javier Svetliza, que desenvolveu a nova técnica cirúrgica e a realizava, pela primeira vez, no Brasil.

A técnica cirúrgica desenvolvida pelo argentino tem a grande vantagem de ser menos traumática para o bebê do que a cirurgia convencional, na qual o recém-nascido é separado da mãe para só então, transferido para outra sala cirúrgica, ser submetido ao procedimento. Neste caso, o cirurgião tem que fazer um corte na pele do bebê e puxar uma veia para introduzir o cateter para anestesiá-lo. “Na cirurgia realizada na Ingrid, não precisamos submetê-la a esta ação traumática, pois ela foi anestesiada através do cordão umbilical”, explicou o cirurgião pediátrico Humberto Liedtke.
Outra vantagem da nova técnica é proporcionar uma recuperação mais rápida à criança, devido justamente ao fato da cirurgia ser feita imediatamente, recolocando as alças intestinais rapidamente dentro do abdômen. “Na cirurgia convencional, embora leve apenas alguns minutos para transferir o recém-nascido de uma sala para a outra, isso faz muita diferença para a recuperação do bebê”, afirma o cirurgião pediátrico Paulo Nakaoski.
Outro importante benefício proporcionado pela nova técnica ao recém-nascido é a possibilidade de o intestino funcionar horas depois da cirurgia, permitindo que ele se alimente normalmente. “Já, no caso da cirurgia convencional, há casos de bebês que levaram até três meses para que o intestino funcione satisfatoriamente”, conta Nakaoski.

O que é a gastrosquise?

Gastrosquise é considera uma abertura de 2 a 4 centímetros no abdômen, do lado direito do cordão umbilical. A gastrosquise é perigosa e causa mortalidade em 15% dos casos. É o problema mais comum na parede abdominal e cerca de 40% dos bebês com o problema nascem abaixo do peso ou prematuramente.
No caso da gastrosquise, o intestino fica exposto, facilitando seu contato com o líquido amniótico quando o feto ainda está no útero.

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