O Hospital de Base (HB), de São José do Rio Preto/SP, atingiu nesta terça-feira (7) a marca histórica de 1.000 cirurgias robóticas em um paciente do SUS. Se consolidando como referência em medicina de alta tecnologia, o HB foi o primeiro hospital do interior do Estado de São Paulo a adquirir o robô Da Vinci Xi em 2023. Com isso, o hospital chega nessa marca com cerca de 30% dos procedimentos de robótica SUS.
Natural de Paulo de Faria, Manoel Valter Santos trabalhou a vida toda como pedreiro, em maio de 2025, começou com uma dificuldade para engolir e uma dor persistente e ao passar em consulta em sua cidade de origem, descobriu um câncer de esôfago. Hipertenso e ex-tabagista, Manoel não se deixou abalar. Ele aceitou cada etapa com a paciência de quem sabe que uma boa estrutura exige tempo. Entre dezembro de 2025 e o final de fevereiro de 2026, enfrentou com coragem seis ciclos de quimioterapia.
"Descobri porque sentia alguns sintomas, dores, não conseguia me alimentar, tinha até com dificuldade para tomar uma água", relembra Manoel sobre o início da doença, ressaltando que, com o tempo, foi perdendo as condições de trabalhar na construção civil devido ao emagrecimento. Após o atendimento inicial em sua cidade, foi encaminhado ao HB. "Tô ansioso para concluir logo, para ver o resultado. Espero que seja positivo, né? E que Deus nos abençoe. Mas a primeira coisa que eu quero fazer depois da cirurgia é ir para casa", ressalta.
Para o diretor executivo da Funfarme, Dr. Horácio Ramalho, a marca evidencia o compromisso social da instituição. "O Centro de Robótica da Funfarme aqui do Hospital de Base cumpre papéis fundamentais, ele disponibiliza o que tem de mais avançado em cirurgias, que vai ter menor morbidade, menor mortalidade e rápida recuperação. E principalmente, ele é extensivo aos pacientes do SUS". Dr. Horácio destaca o ineditismo e o impacto desse acesso: "Estamos completando 1.000 robóticas e 30% dessa robótica são destinados aos pacientes do SUS. É um dos poucos hospitais do Brasil que oferece esse tipo de tratamento aos pacientes do SUS, dispondo essa tecnologia que se encontra apenas em ambientes de grandes hospitais", comenta.
Gedália Pettinelli, gerente assistencial da saúde suplementar da Funfarme falou da importância de atingir o marco histórico de cirurgias robóticas. “Alcançar mil cirurgias robóticas representa muito mais do que um número, é a consolidação de um projeto institucional sólido, baseado em inovação, segurança e qualidade assistencial. Isso demonstra que conseguimos incorporar uma tecnologia de ponta à rotina assistencial com eficiência, garantindo melhores desfechos clínicos, menor tempo de internação e uma recuperação mais rápida para os pacientes”, ressalta.
Gedália comenta ainda sobre a abrangência dos procedimentos robóticos aos pacientes do SUS. “Oferecer cirurgia robótica para pacientes do SUS é um dos maiores diferenciais e orgulho da instituição. Representa, na prática, democratizar o acesso à alta tecnologia em saúde, garantindo que pacientes do sistema público também possam se beneficiar de técnicas menos invasivas, com menor dor, menor risco de complicações e recuperação mais rápida. Em um cenário onde a inovação muitas vezes é restrita, conseguimos cumprir nosso papel social e assistencial, reduzindo desigualdades no acesso à saúde de qualidade.” E Finaliza: Esse modelo reforça o compromisso da Funfarme com a equidade, a excelência e a responsabilidade pública.
Cirurgião do aparelho digestivo e coordenador do programa de cirurgia robótica do HB, Dr. Marco Antonio Ribeiro Filho, ressalta que esse volume reflete a responsabilidade institucional com a tecnologia e a segurança dos pacientes. "Nós vivemos o SUS, amamos o SUS. Nós defendemos o SUS e nós acreditamos que com certeza é o melhor plano de saúde que existe, e nós temos que nos orgulhar disso e trazer quanto mais tecnologia for possível para os nossos pacientes do SUS", afirma o médico. Ele conclui: "A democratização da cirurgia robótica que a Funfarme Hospital de Base traz é a cereja do bolo que mostra o DNA da nossa instituição: compromisso social, avanço tecnológico e ensino e pesquisa", disse.
O preparo para garantir a excelência nos procedimentos é rigoroso, como explica Thainá de Oliveira Laluce, enfermeira da cirurgia robótica. "Para a implementação de um serviço de cirurgia robótica envolve muitos processos, principalmente na questão de layout de sala, de dimensionamento de equipe e até de infraestrutura, que precisa ser pensada para acomodar a plataforma robótica, porque ela é muito robusta e pesa cerca de uma tonelada". Todo esse planejamento tem um único objetivo, segundo a enfermeira: "A gente quer dar essa experiência pro paciente, a gente quer oferecer o melhor que tem de tecnologia e de recursos humanos também aqui no hospital".
Utilização
Atualmente, o robô é utilizado em cirurgias urológicas, tratamento de câncer de próstata, rim e bexiga, e em cirurgias oncológicas do aparelho digestivo, ginecológicas, como histerectomias e miomectomias. Do total de procedimentos, cerca de 30% serão em pacientes do SUS, beneficiando pacientes do Brasil inteiro, especialmente do interior paulista e de Estados como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. De acordo com o que foi divulgado, foram investidos R$ 12 milhões somente na aquisição do aparelho, sem contar com outros recursos destinados à melhoria da estrutura tecnológica, estrutura física (área com 1.200m²), processos de treinamento e qualificação de profissionais.
Capacitação médica e de excelência
Além da assistência inovadora aos pacientes, a cirurgia robótica no Hospital de Base transformou a instituição em um importante polo de ensino. O Dr. Horácio Ramalho frisa que "existe um curso contínuo de formação de novos profissionais aliado à assistência de alta qualidade", onde a tecnologia é apresentada aos residentes, cumprindo "todo o papel de ensino, assistência de qualidade e pesquisa com publicações", afirma.
O coordenador da robótica, Dr. Marco Antonio, endossa essa vocação formadora. "Nós somos um grande centro formador em cirurgia robótica. Temos um programa muito robusto, onde nós conseguimos fazer a formação de novos cirurgiões e eles saem muito bem formados e prontos para o mercado". Essa qualificação abrange todo o ecossistema cirúrgico, conforme destaca a enfermeira Thainá "A gente precisa treinar toda a equipe multidisciplinar, tanto a equipe médica, auxiliares, técnicos de enfermagem e instrumentadores. Criamos todo um protocolo do serviço para poder atender o paciente da melhor forma possível, com segurança", disse.



